Contributos para a Historia da Associação

Contributos para a Historia da Associação    

935707 572441442800105 1887672538 nEm 05 de Novembro de 1911, a Associação Humanitária e Recreativa Cascaense Bombeiros Voluntários de Cascais, sob o Comando de Joaquim Teodoro Segurado, criou em várias localidades do concelho, estações de Bombeiros Voluntários, sendo a numero seis no lugar de Parede.

Ficou instalada na Rua Feio Terenas, vivenda Sequeira e tinha como material uma carreta ( viatura entregue em 23 de Fevereiro de 1913 ) com escadas, mangueiras e material sapador. Ficou sob o Comando de Octaviano Augusto da Rocha Pereira

Em 1913 mudou a sede para a Rua José Elias Garcia, vivenda Gonçalves, em espaço especialmente criado para o quartel e com grande solenidade foi inaugurada em 05 de Novembro de 1911 mais uma viatura, esta com quatro rodas para tracção humana ou para cavalos.

Alem de outro material tinha um grupo de escadas Italianas, bomba Fland “ e vário outro material.Mais tarde o Comando passou a ser exercido pelo Io Patrão Paulo dos Santos, com o decorrer dos tempos o material foi-se degradando e a casa mãe não tinha possibilidade de o renovar.

Os doentes eram transportados numa maca de mão com cobertura de lona e colocados numa carreta com duas rodas de madeira.

Na população começou a surgir a dúvida se haveria socorros de Bombeiros em condições para enfrentar um sinistro de certa gravidade.Então, Amadeu da Silva Duarte, que era Bombeiro Voluntário Lisbonense e que residia na Rua Cândido dos Reis resolveu encabeçar um movimento para criar os Bombeiros Voluntários de Parede, por isso conseguiu reunir à sua volta algumas das mais gradas personalidades residentes na Parede.Lembrando algumas: Marcelino Correia, Joaquim Ribeiro da Cunha, Virgílio Ribeiro da Cunha, Dr Boto de Carvalho, Jerónimo Neto, Fernando Figueiredo Neto, Domingos José de Morais e seus filhos Domingos e João, António Sacadura e Melo, Dr João Luís Ricardo, Artur Henriques e muitos outros.

Amadeu Duarte conseguia, dado o seu dinamismo entregar aos Bombeiros ( ainda dependentes de Cascais ) quinze capacetes de metal para grande uniforme e também uma carreta vinda de França com moto bomba, a primeira com motor.

Começaram as reuniões para se constituir a nova Associação tendo como fim absorver a estação numero quatro de Cascais, formando assim um Corpo independente e passarem a ser os Bombeiros Voluntários de Parede.

Como eram precisos fundos foram organizadas várias festas ( de arromba, diga-se em abono da verdade, no Parque da Família Morais) no actual Parque Morais.Mas estas coisas levavam muito tempo antes que se concretizassem, e nesse estado de tempo o maior entusiasta dos Voluntários piora a sua saúde e vem a falecer antes de ver o seu sonho tornado realidade.No entanto os amigos que constituíam a comissão, embora sem o seu principal impulsionador, continuaram todos a trabalhar até concretizarem o acordo com a Associação de Cascais para a integração da referida estação num novo Corpo de Bombeiros.

Nessa altura todos foram unânimes que a melhor maneira de homenagear o falecido seria dar à colectividade o nome do seu fundador.

dsc00106 2Assim, se fundou a Associação de Beneficência e Socorros “ Amadeu Duarte em 09 de Agosto de 1926.

Foi nomeado Comandante José Luís Ricardo, 2o Comandante Artur Henriques e Chefe de secção Paulo dos Santos ( categoria antes designada por Io patrão ).

Em 23 de Agosto de 1934 o quartel passou a ser em edifício próprio, adquirido pela Associação numa parte do que é hoje o Parque Morais.

A maior parte dos trabalhos de adaptação de edifícios aos vários serviços foi feita pelos voluntários, que, na sua maioria, trabalhavam aos Domingos todo o dia.

Ali passaram a funcionar vários serviços, com um magnífico Posto de Socorros, com sala de cirurgia, dois quartos de S.O., uma maternidade, distribuição de farinhas a bebés filhos de pais com poucos recursos e ainda uma cozinha que fornecia grátis sopa aos pobres.

Mais tarde foi criado o Hospital Amadeu Duarte para onde foram transferidos e melhorados aqueles serviços.

O posto de socorros que existia na Rua José Elias Garcia era dirigido por o Dr. João Luís Ricardo.

Após o seu falecimento foi substituído pelo Dr Artur de Azevedo Rua que também dirigia o posto do Parque Morais, assim como o Hospital que estava na Avenida dos Príncipes.

A certa altura e antes da saída do posto de socorros do Quartel, passou a haver um certo desentendimento entre a Direcção e o Comandante, tendo até, sido convocada uma Assembleia Geral para depor o Comandante, mas depois de uma discussão muito acesa foi o Comandante ilibado da culpa.

O Comandante pediu a sua exoneração, dentro dos plenos direitos e não foi demitido como alguém queria.

Em sua substituição foi nomeado José Valente da Silveira que durante algum tempo foi exercendo o cargo contento.Mas um dia ( há sempre um dia ) em plena parada chamou à atenção um Voluntário que por mais uma vez não tinha cumprido os serviços para que estava escalado, o que degenerou em discussão chegando, mesmo, a serem trocadas palavras impróprias, quer por um quer por outro, e naquele momento o Comandante Silveira considera o Bombeiro como expulso. O pessoal que se encontrava no Quartel onde se contavam alguns familiares do Bombeiro expulso na sua maioria tomou o partido do Bombeiro e houve, por assim dizer o principio de uma insubordinação.

O Presidente da Direcção, que na altura era o Coronel Gilberto Duarte Mota, assim que teve conhecimento do ocorrido não esteve com meias medidas e achou, por bem, dissolver o Corpo Activo.

Fez um edital nesse sentido, e manda encerrar as portas do Quartel, ficando, apenas, aberta a quem se servia do primeiro andar.

Foi de imediato aberta nova inserção para Voluntários, com a intenção de só admitirem quem bem quisessem.

Daquela resolução da Direcção nem foi dado conhecimento ao 2a Comandante pelo que só soube quando ia para entrar no Quartel e o permanente lhe disse que não podia dado o Corpo Activo Ter sido dissolvido.

Na nova insuição apenas se apresentaram 3 ou 4 antigos Voluntários, mais ninguém.

Como naquela altura haviam duas esplanadas de cinema a funcionar o “ Parque Oceano “ e também o “ Royal Cine os novos inscritos asseguram o serviço de presenças, mas no “ Royal Cine “ foi preciso pedir aos Bombeiros de Carcavelos para assegurarem o respectivo piquete.

AHBP021Como mais ninguém se inscrevia, a Direcção resolveu nomear Comandante o senhor Augusto Araújo de Campos Madureira, com a missão principal de conversar com os Voluntários que não tinham voltado e, por isso foram levados a efeito várias reuniões na Sociedade Musical União Paredense ao fim das quais a grande maioria voltou a ingressar, com patentes que tinham antes.

Durante algum tempo tudo parecia correr pelo melhor, mas quando o Comandante Madureira se lembrou de organizar uma campanha para angariar novas viaturas ( e, para o efeito conseguiu uma Comissão de Honra constituída pelas melhores entidades, e que eram, o Presidente do Conselho Nacional dos Serviços de Incêndios Dr António Pedrosa Pires de Lima, Inspector da Zona Sul Coronel Mana, Presidente da Câmara Municipal de Cascais Tenente Coronel José Roberto Raposo Pessoa, Delegado do Concelho Nacional dos Serviços de Incêndios em Cascais Francisco Pedro Arraya,

O jornal “ O Século “, o Presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Rana e muitas outras entidades ) é que foi o diabo. O jornal “ O Século “ publicou na primeira página uma grande noticia com grande relevo onde constava a situação precária das situações e a área a proteger pelos Bombeiros de Parede, área enorme que ia até ao limite do concelho de Cascais e o de Sintra, isto é Trajouce e Cabra Figa, onde se encontravam instaladas várias unidades de grande risco.

A Direcção levou a mal tal noticia e fez publicar um comunicado, na mesma zona da primeira página de “ O Século “, em que dizia que tal situação não era tão má, pois existia o material tal e tal, uma relação pormenorizada do que havia no quartel dizendo que estava em estado razoável.

Isto deu em resultado que gerou tudo quanto estava em embrião.

De seguida a Direcção começou a ver o Comandante com maus olhos ( como dizia o povo ) e acaba por dispensar os seus serviços, ficando, então o 2o Comandante Paulo dos Santos a actuar como interino.

Esta situação prolongou-se por cerca de quatro anos.

Entretanto a Inspecção de Incêndios foi pressionando a Direcção no sentido de indicar o nome de um indivíduo que pudesse desempenhar o cargo de Comandante.

Foram feitas diversas consultas, mas todos a recusaram porque sabiam a situação criada aos antigos Comandantes e ninguém estava para ser atingido na sua dignidade.

Assim como a Inspecção de Incêndios, também o Delegado do Conselho Nacional do Serviço de Incêndios, foi fazendo pressão para que a situação fosse resolvida.

Como o 2o Comandante embora considerado uma boa pessoa, com conhecimentos de Bombeiros, já era de certa idade e tinha dificuldade em ler e escrever, não era aconselhável a sua promoção.

Por estas coisas todas foi o secretário de Comando que passou a ser pressionado a aceitar o posto.

Foi o próprio Inspector, foi o Delegado do Concelho Nacional dos Serviços de Incêndio, foi o Presidente da Câmara Municipal de Cascais que pessoalmente, mais uma vez, todos queriam que Gilberto Duarte e Duarte assumisse o cargo de Comandante.

Então a Direcção estava constantemente a lembrar a necessidade de se resolver o assunto.

Pela mesma razão da recusa dos anteriores convidados para Comandante, o secretário de Comando também não queria aceitar porque, dizia ele, “ Amo tanto os Bombeiros que se um dia fosse demitido seria o maior desgosto da vida “, mas em Agosto de 1950 acaba por aceitar, embora sempre com receio de haver qualquer mal entendido e ser posto na rua.

Mas isso não veio a acontecer antes pelo contrário, manteve-se ao serviço até 1977, data em que por motivo de saúde e da sua vida particular pediu a exoneração do cargo, pedido que não foi aceite pela Inspecção de Incêndios, com fundamento, dado os serviços prestados tinha o direito a continuar na Associação, com o mesmo posto, agora no Quadro Honorário.

dsc01765O referido Comandante de acordo com o presidente da Direcção Dr Carlos Pilta Sebre, conseguiu que a Câmara Municipal cedesse terreno para instalar um novo Quartel, já que o do Parque Morais não servia capazmente, dada a sua localização, ser pequeno e a pedir obras de conservação, foi indicado um terreno na Rua Heliodoro Salgado, mas dado as suas reduzidas dimensões não foi aceite.

Foi então que o Presidente da Comarca Coronel Mctor Novais Gonçalves disse: “ Olha Gilberto só se for um pinhalzito que está na estrada de Rana !?!” (local onde se encontra hoje o Quartel).

O Comandante respondeu: “Aceito por uma razão, hoje está deslocado da povoação mas dentro de dez anos estará no centro geográfico da área de actuação dos Bombeiros Voluntários de Parede.

O Dr Carlos Lebre pediu ao Arquitecto Henrique Madeira para fazer o anteprojecto, o qual depois de ser melhorado no aproveitamento das divisões em relação a cada serviço, foi passado a defínitivo.( O arquitecto não recebeu honorários, recebeu apenas as despesas feitas com o material).

Aberto o concurso foi a empresa Cubo “ que foi encarregada da sua construção, dando todos os trabalhos prontos no princípio do ano de 1969.

Com toda a solenidade foi o quartel inaugurado em 21 de Dezembro de 1969.

Actualmente o quartel está situado na Avenida dos Bombeiros Voluntários na localidade e Freguesia de Parede, Concelho de Cascais.

  • Visualizações: 3645

© Associação Humanitária de Bombeiros de Parede 'Amadeu Duarte'-2017